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Preso em Brasília pedófilo que atuava na web
O arquiteto Carlos César da Silva Sena, de 49 anos, foi preso em Brasília na última quarta-feira (20/04) acusado de distribuir conteúdo pornográfico via internet.
Sena foi denunciado no final de fevereiro por uma comerciante de 42 anos, moradora do Rio de Janeiro, ao Ministério Público Estadual. Na ocasião, a mulher - que não teve o nome divulgado - relatou ao promotor de justiça e líder da Coordenadoria de Investigações Especiais Eletrônicas, Romero Lyra, as atividades ilícitas confessadas pelo arquiteto.
"A comerciante conheceu o arquiteto em uma sala de bate-papo. Desde setembro do ano passado ela vinha mantendo contato com esse rapaz [via comunicador instantâneo MSN], que se identificava pelo apelido 'CS', e com o passar do tempo ele veio se revelando. (...) Em certo ponto ele declarou que gostava de meninas novinhas, não adolescentes, mas crianças de três, quatro e cinco anos de idade", afirmou.
Para comprovar seu interesse por práticas de pedofilia, Sena enviou por cerca de cinco vezes filmes e fotos de abusos sexuais de crianças de até 18 meses de idade. A partir de então, a comerciante começou a gravar as conversas e deu autorização ao Ministério Público para perícia em seus equipamentos.
Após uma investigação no computador da comerciante, o MP chegou ao endereço de IP (Internet Protocol) do comerciante, e obteve ajuda da Brasil Telecom - operadora pela qual ele mantinha acesso à internet - para identificar o cadastro. Segundo Lyra, a colaboração da Brasil Telecom foi fundamental para auxiliar nas investigações, que duraram cerca de dois meses.
Na última quarta-feira (20/04), membros do Grupo de Apoio Policial aos Promotores de Justiça do Rio de Janeiro foram a Brasília munidos dos mandados de busca, apreensão e prisão e capturaram Sena.
Na residência do acusado foram apreendidos computadores, CDs ROM e disquetes com centenas de fotos de abuso de menores. O arquiteto foi, então, transferido para a sede da Polinter, no Rio de Janeiro, onde permanece preso.
A pena por divulgação de material pornográfico envolvendo crianças pode variar entre dois e seis anos de prisão, mas no caso de Sena poderá ser ampliada em virtude de terem sido várias as circunstâncias em que ele enviou filmes e fotos via internet.
Crimes "plurilocais"
De acordo com o promotor, os atuais crimes cibernéticos são considerados plurilocais porque podem ser realizados à distância. No caso do arquiteto, por exemplo, os acessos eram feitos a partir de Brasília, mas a disseminação efetiva foi feita no Rio de Janeiro, já que a internauta que recebeu os materiais é residente deste Estado.
"Este é um dos crimes cometidos à distância. Todo o crime cometido à distância é punido no local onde ele foi cometido. A pessoa que recebeu as informações, neste caso, pertencia ao Rio de Janeiro. Isso permitiu que o Ministério Público do Rio de Janeiro agisse", declarou.
Ainda de acordo com Lyra, o Ministério Publico de Brasília será responsável por investigar os crimes reais cometidos pelo arquiteto, já que ele confessou diversas vezes à internauta ter sido autor de estupros, abusos e torturas de crianças.
O MP da capital federal também será responsável por investigar outras eventuais origens das imagens e filmes disseminados por Sena.